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NOTA PÚBLICA

Foto por: Ascom/Sintufal
NOTA PÚBLICA

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (SINTUFAL) vem a público manifestar seu veemente repúdio ao editorial intitulado “O eterno retorno das greves de servidores de universidades”, publicado no jornal Folha de São Paulo, em 22 de abril de 2026, que apresenta uma leitura distorcida, reducionista e descontextualizada das mobilizações dos trabalhadores e trabalhadoras das instituições públicas de ensino superior.

Ao tratar o direito de greve como um problema recorrente e incômodo, o editorial ignora deliberadamente as causas estruturais que levam servidores técnico-administrativos, docentes e estudantes à mobilização: o subfinanciamento crônico das universidades públicas, a precarização das condições de trabalho, a desvalorização salarial e o desmonte progressivo das políticas públicas de educação.

As greves não são um capricho ou uma escolha leviana. São, antes de tudo, um instrumento legítimo e constitucional de luta diante da ausência de diálogo efetivo e da negligência histórica do Estado com a educação pública. Quando trabalhadores cruzam os braços, o fazem após sucessivas tentativas de negociação frustradas e diante de um cenário em que direitos básicos são sistematicamente desrespeitados.

O editorial também incorre em grave equívoco ao sugerir que o problema reside nas reivindicações dos servidores, quando, na verdade, está na insuficiência de recursos destinados às universidades e na opção política de não priorizar a educação pública como eixo estratégico de desenvolvimento nacional. Não há “dinheiro que baste” em um modelo que insiste em cortar investimentos enquanto amplia desigualdades.

É fundamental destacar que as universidades públicas brasileiras são responsáveis por grande parte da produção científica, da formação de profissionais qualificados e da promoção da inclusão social no país. Fragilizá-las significa comprometer o futuro do Brasil.

O SINTUFAL reafirma que a luta dos servidores não é apenas por salários ou condições de trabalho, mas pela defesa de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Ao contrário do que sugere o editorial, não se trata de um “eterno retorno” das greves, mas da permanência de problemas que insistem em não ser enfrentados com a seriedade que exigem.

Seguiremos firmes na defesa dos direitos da categoria e na construção de uma educação pública forte, democrática e inclusiva.

SINTUFAL
Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas

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